“A fotografia é em sua essência a arte do súbito e efêmero, a arte que torna singular um momento na transitoriedade do espaço, de seus objetos e fundos, como consagrada na poética produção de mestres como Cartier-Bresson e Sebastião Salgado.  Não se deve compreender essa fotografia de momento como um retrato mimético do contexto espacial, pois a mímese – essa ilusão de ótica – de um momento é um paradoxo. O momento deixa de existir tão logo se dá e extraí-lo da realidade de mundo é impossível porque memória e realidade não se confundem. A memória do momento não é o momento que fora realidade um dia; é, isto sim, momentum (não o da Física…), uma nova realidade ampliada pelo efeito provocado ao se deslocar o espaço de sua cadeia transitória. A fotografia é, portanto, o efeito que amplia o momento e lhe concede existência própria, um outro momento, em um cenário singular construído segundo o olhar e a intenção do fotógrafo..”

SENNA, L.A.G. (2025) In: Artes sobregentes – A fotografia, o outro e o museu de arte.


 

 

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